Psicologia Positiva


As leis do anti-envelhecimento

Um número considerável de factores que aceleram o nosso envelhecimento é resultante das nossas próprias escolhas. Isto deve fazer-nos reflectir.
Sabemos que o envelhecer é sobretudo um processo de entropia, ou seja, de deterioração provocada por agentes externos, frequentemente tóxicos e que, sob a forma de radicais livres, atacam o organismo (desde a pele aos mais pequeninos dos nossos órgãos). Não damos habitualmente muita importância a estes aspectos e confiamos muito mais no factor sorte. Geralmente, fazemo-lo com desculpas do género "Ah, fulano não fumava e todavia morreu de cancro do pulmão" ou coisas do género "Os médicos também envelhecem e morrem".
É verdade. Mas há muita coisa que falta acrescentar. Por exemplo, que todas as pessoas envelhecem de forma e em ritmo diferentes devido a um sem número de factores (genéticos, hereditários, ambientais, etc.). E, mesmo quando se analisa uma pessoa, verifica-se que cada parte do corpo envelhece a um ritmo diferente. É possível, por exemplo, que o estômago esteja mais envelhecido que os pulmões e, por isso, possa arrastar a pessoa para problemas digestivos que dão origem a um envelhecimento mais rápido a nível geral. E, mais ainda, a sua morte poderá começar no estômago.
Voltemos ao início. Se muito do nosso envelhecimento resulta das escolhas que fazemos, então o que é que está envolvido? Pois, a educação, os hábitos, os comportamentos, etc. Ou seja, tudo isso está na psique do indivíduo, na sua mente.
Conhecemos pessoas que, apesar de obesas, continuam a manter hábitos alimentares destrutivos, insistindo em comer verdadeiras porcarias que não apenas engordam como contêm muito material tóxico. Essa pessoa até pode durar muito tempo mas a sua aparência não é saudável (longe vai o tempo em que a gordura era formosura) e terá muitas mais probabilidades de ser vítima de problemas cardiovasculares e envelhecer mais rapidamente.
O famoso médico Deepak Chopra diz que "o grande inimigo da renovação é o hábito". Esta renovação de que ele fala é a do corpo pois este não é um objecto acabado mas um processo em contínua mudança. Ora desde que esse processo seja orientado no sentido da renovação as nossas células podem manter-se jovens "não importa quanto tempo passe ou a quanta entropia estamos expostos".
O envelhecimento e a morte também não são acelerados por aquilo que comemos mas também por outros hábitos de vida que provocam acidentes, deterioram o corpo e provocam doenças. Por exemplo, dizem as prostitutas que muitos homens que as procuram pagam-lhes mais para poderem ter relações sem preservativo. Que é isto senão jogar à roleta russa? É óbvio que, quem vive assim, deposita toda a sua esperança no factor sorte. Ora devemos reduzir ao mínimo a crença de que a sorte é a única determinante na saúde e na longevidade.
As descobertas científicas vão todas no sentido de que a nossa saúde e a nossa longevidade dependem de muitos factores que podemos controlar e, assim, podemos envelhecer mais devagar e com saúde até aos nossos últimos dias. Para que tal sejamos capazes de atingir necessitamos de adoptar uma nova visão do envelhecimento, compreender o papel da psique e da consciência e enveredar por um estilo e um programa de vida onde a renovação (saudável e positiva) seja uma constante.

Como viver num mundo complexo

No best-seller O Mundo é Plano, o jornalista norte-americano Thomas Friedman apresenta-nos a sua percepção de como as distâncias em nosso planeta estão se tornando cada vez mais curtas. Ele relata que houve 10 forças responsáveis pelo que chama de “achatamento do mundo”.
A primeira foi a queda do muro de Berlim, o que fez com que o planeta tivesse, do ponto de vista económico, uma ideologia dominante: o capitalismo.

As duas forças seguintes estão relacionadas ao surgimento de programas que permitem compartilhar conteúdo pela internet. Assim, estava criada a infra-estrutura para as demais forças, que seriam as possibilidades de colaboração surgidas. Entre elas, a possibilidade de terceirização de serviços e o offshoring, ou seja, quando uma empresa transfere não uma parte de sua estrutura para outro país, como um call center, mas toda ela.
O grande actor no caso da terceirização foi a Índia, que, durante o risco do Bug do milénio, com a falta de programadores no mundo para consertar os programas, recebeu esta tarefa monótona e, como demonstrou qualidade na prestação, o mundo mostrou-se disposto a enviar serviços mais complexos.
Com a explosão da internet, as infovias construídas ficaram disponíveis e praticamente de graça, o que alavancou ainda mais a comunicação entre os países. Isto tudo alimentado pelo que ele chama de “esteróides”, que é ser digital, virtual, móvel, e pessoal.

Como disse Bill Gates, pela primeira vez na história um talento não vai ser limitado pela geografia, pois há 15 anos muitos preferiam ser taxista em Nova York a ser engenheiro em Nova Deli. Hoje, pode ser engenheiro, morando em Nova Delhi, mas trabalhando em Nova York.
Por isso, esta nova globalização não será feita nem por países, nem por empresas, mas por indivíduos, principalmente não-brancos e não-ocidentais.
Qual seria a saída para as nações do ocidente? Segundo Friedman, elas teriam de se concentrar em criar inovações, sendo necessários trabalhadores com maior qualificação, uma vantagem competitiva que os novos participantes da globalização ainda não têm. Digo ainda porque poderão chegar lá, mas, mesmo assim, as nações desenvolvidas têm muito mais a ganhar neste processo. Exemplo: vamos supor que haja somente 2 países no mundo, os EUA e a China, e que a economia americana conste somente de 100 indivíduos, e a chinesa de 1000. Dos 100 americanos, 80 são profissionais intelectuais qualificados, e 20, trabalhadores pouco gabaritados. Na China, por sua vez, há 80 qualificados e 920 menos qualificados. Caso façam um tratado comercial, agora temos 160 trabalhadores qualificados, o que dá a sensação de que a concorrência aumentou, o que é verdade.
Qual foi o ganho?Um mercado muito maior que passou de 100 para 1100 pessoas, com muito mais necessidades e desejos. Daí alguns profissionais terem de se deslocar horizontalmente, isto é, usar as mesmas capacidades, mas em outro trabalho. O crescimento do bolo, porém, certamente criará novas especialidades a serem preenchidas — e impossíveis de se prever hoje.
Os trabalhadores menos qualificados terão de se deslocar verticalmente, melhorando seu grau de preparação e competência. Os indianos e os chineses não estão empurrando os ocidentais para baixo, mas para cima — o que é óptimo. O que estes orientais querem é um melhor padrão de vida, não a exploração de mão-de-obra semi-escrava. E, quanto mais melhoram seus padrões, mais alto querem subir e mais espaço se cria no topo.
A pergunta é: quais habilidades além da capacitação técnica um profissional terá de desenvolver para conseguir ser bem-sucedido neste mundo sem fronteiras?A principal será a capacidade de nos relacionarmos de uma maneira madura, e, ainda, com pessoas de uma cultura completamente diferente da nossa. Este é um grande desafio, pois ainda nem conseguimos nos relacionar entre nós mesmos. Segundo as estatísticas de uma grande empresa de recolocação de executivos, a dificuldade de relacionar é o terceiro factor de dispensa do emprego no mercado. O profissional é contratado pela sua capacitação técnica e é demitido pela sua incapacidade de relacionamento.
A distância entre você e os outros é a distância entre você e você mesmo, ou seja, para se relacionar bem com os demais, o início é o autoconhecimento, início de um processo de amadurecimento emocional, uma grande necessidade atual, pois, como relatou John Ranesch, da World Business Academy, “a maturidade emocional de 85% dos executivos americanos equivale à de um adolescente”. O interessante é que, após anos dizendo que o importante é o capital humano, agora precisamos dar prioridade ao desenvolvimento deste, pois não temos como concorrer com os chineses e indianos no que se refere a trabalhos simples, mas em tarefas mais complexas, que requerem diferentes talentos interagindo em redes, muitas vezes localizados em diferentes locais do mundo.
Aí podemos ter uma chance, chance esta que vai depender da nossa capacidade de evoluir como ser humano e de entender que talvez a resposta possa não estar lá fora, mas, sim, dentro de cada um.


Texto original do médico psiquiatra Frederico Porto (adaptado)

As leis do sucesso: aprender mais de menos coisas

(...) Se você está se sentindo cada vez menos inteligente, fique tranquilo, estamos todos emburrecendo a passos largos, inclusive eu. O conhecimento humano está aumentando explosivamente. Antigamente, dizia-se que o conhecimento humano dobrava a cada dezoito meses. Hoje, parece que ele dobra a cada nove. Embora colectivamente o mundo esteja ficando mais inteligente, individualmente estamos ficando cada vez mais burros.
Antigamente, você precisava entender de mecânica para dirigir um carro. Hoje, os computadores são feitos à prova de idiota, graças a Deus! É justamente por isso que sobrevivemos. Equipamentos incorporam conhecimento, e muitas vezes tomam decisões por nós. Por essa Darwin não esperava, pela sobrevivência dos menos inteligentes.
Se você ler três livros por mês, dos 20 aos 50 anos, serão 1.000 livros lidos numa vida, que nem chegam perto dos 40.000 publicados todo ano só no Brasil. Comparado com os 40 milhões de livros catalogados pelo mundo afora, mais 4 mil milhões de home pages na internet, teses de doutorado, artigos e documentos espalhados por aí, provavelmente seu conhecimento não passa de 0,0000000000025% do total existente.
Há intelectual que acha que tem o direito de mudar o mundo só porque já leu 5.000 livros. É muita arrogância. A idéia de intelectuais superesclarecidos governando nações hoje não faz o menor sentido, é até perigosa.
Como sobreviver num mundo onde cada um de nós só poderá almejar saber 0,0000000000025% do conhecimento humano ou até menos? O segredo é cada um se esforçar para saber 100% de um pequeno nicho, uma parcela mui, mui pequena do conhecimento humano.
Não basta mais tirar a nota mínima 5 em 58 matérias e achar que um diploma vai resolver sua vida. Não basta mais saber 90% de uma única matéria académica. Você precisará saber 100% de algo que seja útil para os outros. Você vai ter de ser o maior especialista do mundo num assunto e vender o que sabe fazer bem aos demais miniespecialistas do planeta, e vice-versa.
Quantos alunos se formam especialistas em coisa alguma? Infelizmente, as universidades hoje em dia produzem commodities. Preferem formar generalistas, porque é bem mais barato do que formar especialistas.
Só que generalista que não tenha uma especialidade não arranja o primeiro emprego. Faculdades oferecem basicamente o mesmo curso todo ano, obedecendo a um mesmo currículo, chamado de mínimo. Não é à toa que há tanto desemprego.
Antigamente, superespecialistas poderiam morrer de fome por falta de mercado. Hoje, a globalização permite mercados cada vez maiores. Por isso a enorme preocupação dos especialistas em ampliar mercados como a Alca, Brindia e Mercosul. Um técnico de manutenção de rodas de avião morreria de fome no Uruguai.
O segredo daqui para a frente é ignorar uma série de leituras, publicações e jornais que você lia anteriormente para não parecer um ET. Curiosamente, você vai ter de se tornar um ignorante, alguém que deliberadamente ignora milhares de informações para se concentrar na sua especialidade. O segredo não é mais ser um intelectual que sabe um pouquinho de tudo, mas ser um ignorante que sabe tudo sobre um pouquinho
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Contributo: adaptado de um texto de Stephen Kanitz (www.kanitz.com.br).

As leis da transformação

Meus caros leitores. Deixo-vos hoje com um belo texto de Walther Hermann. Ele fala-nos do tempo passado, do presente e do futuro e alerta-nos para a necessidade de fazermos da nossa vida um tempo de mudança e transformação.
"Dizem que devemos tomar cuidado com os nossos desejos, pois eles podem se concretizar! Pois creio que estamos vivendo exactamente esse drama no presente. Pense bem, o quanto a indústria cinematográfica americana explorou filmes de guerras, apocalipses, heróis renegados, etc... Não é exactamente isso que eles estão enfrentando agora? E pior, a realidade pode ser muito mais dramática e contundente que a ficção!
Quando nascemos como seres humanos, encontramos um mundo que já existia antes de nós e que provavelmente continuará a existir após nossa existência. Diferente de qualquer outra civilização da história humana, a cultura ocidental permite e convida cada indivíduo a contribuir na construção do conhecimento e do próprio mundo. Isso porque, diferentes de outras culturas do passado, não aceitamos mais o mundo como pronto e acabado, como se fosse definitivo e permanente - não, mudança e transformação se tornaram parte de nossa compreensão!
Assim sendo, termos o privilégio de existir na Era da Informação, exige também uma grande responsabilidade: a flexibilidade de nos adaptarmos às necessidades do mundo e, quem sabe, retribuirmos ou oferecermos ao mundo o nosso legado pessoal de conhecimento, descoberta, criatividade, trabalho e experiência.
No passado, a posse de propriedades e património imóvel garantia riqueza, sucesso e prosperidade... Da mesma forma, jóias, ouro e riquezas dessa natureza. Mas, se reflectirmos sobre a origem das maiores riquezas da actualidade, talvez cheguemos à impressionante conclusão que é o conhecimento a maior riqueza e o verdadeiro património que possuímos, embora este seja completamente imponderável! Pense, quanto vale a fórmula da Coca-Cola, os segredos da farmacologia (indústria de medicamentos), o conhecimento de informática e de estratégia comercial que possui a Microsoft, entre outros tantos!
Quem sabe, exactamente por causa disso, nunca foi tão fácil na história da humanidade, escalarmos ou despencarmos da pirâmide social, mudando rapidamente de nível sócio-económico e de classe social... Tudo graças a esse "ouro sem peso" chamado de informação e conhecimento, cada vez mais disponível, melhor e mais rápido, para quem souber encontrá-lo, seleccioná-lo, interpretá-lo e utilizá-lo! Entretanto, na mesma proporção que essas "pérolas" e esses "diamantes" do conhecimento estão disponíveis e espalhados pelas ruas, "jogados no chão", existe também cada vez mais "lixo", na forma de boatos, informações desactualizadas e falsas verdades!
O mais interessante é que quase a totalidade do conhecimento disponível actualmente está codificado na nossa escrita nos livros, revistas, jornais e, mais recentemente, nos meios virtuais tais como a internet.
Pense bem, tudo está cada vez mais rápido... Os carros são melhores, mais seguros, mais económicos e possuem maior rendimento... As viagens de avião, os combóios, o metro... Todos cada vez mais rápidos... Se, no passado, você escrevia cartas que demoravam dias ou semanas para alcançarem seus destinos, hoje, ao enviar uma mensagem pela internet, ela chega do outro lado do mundo em poucos instantes! Tudo anda melhorando, ficando mais rápido e mais barato (ou será que um carro era acessível no início do século vinte ou um computador compatível com uma residência nos anos 60?).
O que comentamos até aqui, talvez você já esteja cansado de saber, mas o que possivelmente ainda não saiba é que, graças a todas essas evoluções, em vários campos do desenvolvimento humano e tecnológico, resultados das mais modernas pesquisas das ciências do comportamento e do funcionamento do cérebro humano (neurociências), novas e sofisticadas "ferramentas" estão sendo criadas para, de agora em diante, tornar o ser humano cada vez mais rápido e apto a se adaptar, viver, criar e prosperar nesse mundo em constante transformação.
Esse novo ser, 'super' humano, capaz de fazer as coisas melhor, mais rapidamente e com menos esforço... Sim! Todos nós sonhamos com essa época na qual as máquinas trabalhassem por nós... E agora, esse tempo chegou nos trazendo uma das crises mais cruéis e universais - descobrimos que talvez não fosse bem isso o que desejávamos: falta de empregos, fome, miséria, etc. Profissionais de todos os níveis sem ocupação, mudando de profissões, necessidade de se construir currículos cada vez mais exigentes e especializados e, por outro lado, vagas disponíveis no mercado não sendo ocupadas por falta de profissionais qualificados! Contraditório, não?
É exatamente essa insatisfação a força que nos impulsiona a buscar o novo e o que existe de mais sofisticado para nos prepararmos para viver melhor e mais satisfeitos. Apenas uma parcela de cinco por cento das pessoas procura melhorar, aprender e se desenvolver antes que as necessidades se apresentem. E, como diz um dos criadores da Programação Neurolingüística, "se continuarmos a fazer as coisas como sempre fizemos, estaremos condenados a obter e permanecer com exatamente os mesmos resultados" (Richard Bandler), ou menos!
Faço parte de um grupo de educadores que acredita que quando a educação e suas tecnologias tiverem se desenvolvido tanto quanto nossas actuais ciências de ponta: engenharia electrónica, genética, micromecânica, etc, provavelmente uma criança com onze ou doze anos já terá conquistado o conhecimento correspondente a um grau de um doutoramento de nossas universidades actuais! É isso o que antevemos para o futuro! Com a utilização da realidade virtual, simuladores de tomada de decisões, educação à distância e a popularização das tecnologias de ensino de vanguarda!
Tenho um amigo italiano, com aproximadamente sessenta anos, que se estabeleceu no Brasil quando veio trabalhar numa multinacional... É um grande pensador. Um dia me disse o seguinte: - "Walther... Quando eu era criança, meus heróis eram soldadinhos de chumbo! Cowboys do farwest! E completou o pensamento dizendo que imaginava que a humanidade está passando por uma transformação nunca antes imaginada!!!
As gerações mais recentes tiveram como heróis e modelos de futuro, seres com habilidades super-humanas! Homens e mulheres que voam sem máquinas, que movem objectos com a força do pensamento, que vêem através da matéria sólida, que se comunicam telepaticamente sem palavras, etc. Essas "fantasias" estão abrindo caminho para uma nova humanidade... Para uma compreensão maior e uma profunda transformação na nossa raça! Por mais incrível ou alucinante que possa parecer.
Pense bem... O avião, o microondas, o computador, o raio laser, a electricidade, a luz elétrica, etc, em alguma data do passado, também foram apenas fantasias na mente de alguns "loucos visionários"! Todas nossas novas gerações já possuem um espaço mental para a existência de uma super-humanidade!
O que podemos então concluir é que nesse moderno mundo do conhecimento e da informação, aqueles que decidirem mudar os resultados que não estão a contento, terão que se juntar ao grupo desses 5% de pioneiros, sem medo de fazer as coisas de forma diferente, buscando o novo.
Se você já não for um deles, como desafio pessoal poderia tentar. Não precisa ser um novo "instantâneo", comece aos poucos e pelas coisas simples. Por exemplo, mude o trajecto de seu caminho para o trabalho, mude o programa da TV, o lado da cama que você dorme, a sequência dos exercícios no ginásio, faça um curso completamente fora de sua área de actuação profissional, ou qualquer outra coisa que lhe agrade.
Depois de feita a mudança, pare para avaliar o que aprendeu de novo, quais os sentimentos que foram gerados, quais foram suas reacções, e finalmente o que de facto mudou em você. Com certeza vai gostar e notará como pode ser enriquecedora um experiência de mudança, ou no mínimo divertida.
Conclusões
Chegou a hora de arregaçarmos as mangas e enfrentarmos a dura constatação que chegou a nossa vez de experimentar a construção de um mundo mais humano, quem sabe, super-humano! E nada vamos conseguir apenas ficando sentados esperando que algo seja feito por nós... Olhe a sua volta e poderá até escolher por onde começar, tamanha a quantidade de coisas que devem ser feitas para melhorar nossas vidas e de nossa comunidade próxima".

Emoções e afectos

O ser humano é uma unidade psicofísica (mente/corpo), um ser vivo que consegue percepcionar, agir intencionalmente, raciocinar e sentir, além de ter uma linguagem complexa. Para tudo isto contribui a actividade de um cérebro muito desenvolvido que lhe permite igualmente ser consciente e também auto-consciente.
Geralmente a ciência atribui ao ser humano faculdades físicas e psicológicas. Mas muitas coisas que lhe são próprias escapam a estas fronteiras pois não são físicas nem mentais. E, todavia, são atributos humanos. Um bom exemplo é a timidez, geralmente caracterizada como uma emoção quando, na verdade, é uma disposição de carácter e temperamento (ou seja, um atributo da pessoa). Embora pertença ao domínio do mental não é uma característica da mente mas da pessoa.

Clarificar conceitos
A ciência psicológica e a neurociência (que estuda o sistema nervoso e o cérebro) insistem em algumas confusões conceptuais. Estas chegam ao domínio público através da informação e instala-se então alguma dificuldade em compreender determinadas ideias.
Alguns especialistas mais esclarecidos, como o M.R. Bennett (professor de Fisiologia e catedrático da Universidade de Sidney, na Austrália) e P.M.S.Hacker (membro do St.John´s College, em Oxford e um autoridade em filosofia) afirmam peremptoriamente que o termo “mente” não designa coisa de espécie alguma e que ao atribuirmos-lhe determinadas faculdades psicológicas é um erro conceptual. Ou seja, estes autores defendem que devemos falar em atributos humanos e não em atributos do cérebro ou da mente, tais como capacidades, aptidões, obrigações, susceptibilidades, disposições, tendências e inclinações.
Esses atributos, onde se inclui a faculdade de “sentir”, pertencem à pessoa e não à mente ou ao seu cérebro. Assim, a palavra “sentimento”, de acordo com aqueles autores, pode por vezes significar uma sensação (sentir uma dor), outras vezes uma emoção (sentir-se irritado); significar uma inclinação para agir (sentir como se estivesse a ir para o cinema); uma forma de percepção (sentir uma moeda no bolso); uma forma de pensamento ou opinião (sentir que a justiça é lenta); uma inclinação para acreditar (sentir que alguém está a mentir); e, por vezes, indicar uma condição física ou psicológica geral (sentir-se doente ou satisfeito).

Sentimentos que são sensações
Existem dois tipos de sensações. Um está relacionado com a sensibilidade localizada (uma dor ou um prurido). O outro refere-se à sensibilidade corporal geral (sentir-se bem ou mal; em boa ou má forma). Esta mistura-se com a sensibilidade da chamada condição psicológica geral, como sentir-se tranquilo ou interessado.
Mais uma vez é importante clarificar que as sensações são percepcionadas pelas pessoas. Elas é que são o sujeito das sensações sendo errado dizer que é o cérebro ou é a mente.

A afectividade
Para os autores a que estamos a fazer referência, as emoções são uma subclasse de afectos, isto é, sentimentos (mas não sensações como as que atrás referimos).
Assim a afectividade divide-se em emoções, agitações e disposições. Os afectos podem revelar-se também através de atitudes (como gostos e aversões, aprovação e reprovação) e traços de carácter (tais como benevolência, irascibilidade e o espírito vingativo).
Existe ampla controvérsia sobre o que são emoções. Alguns estudiosos entendem que as emoções são algo muito pessoal e interno a cada pessoa. Outros, como os antropólogos, consideram as emoções como sendo criadas entre as pessoas, ou seja, resultantes da interacção entre elas.
Certo é que as emoções são a manifestação externa e dinâmica do estado afectivo interno das pessoas e, por isso, são observáveis. Ou seja, as emoções exprimem-se através do rosto e das reacções corporais. Elas podem ser avaliadas em termos de tipo, intensidade, extensão, variabilidade e grau de congruência (alterado ou inalterado).
Os indivíduos normais demonstram uma multiplicidade de emoções, de intensidade variável, que, em geral correspondem e variam com os pensamentos e sentimentos expressos verbalmente. Elas pesam também nas nossas deliberações e nos desejos que albergamos.
Existem muitos tipos de emoções e diferentes formas de as agrupar. Uma das mais rigorosas divide as emoções em “emoções orientadas para os outros” e “emoções orientadas para o próprio”. Veja-se:

Emoções paradigmáticas – orientadas para os outros - são o amor, o ódio, a esperança, o medo, a cólera, a gratidão, o ressentimento, a indignação, a inveja, o ciúme, a piedade, a compaixão e o pesar;
Emoções de auto-avaliação – orientadas para o próprio - são o orgulho, a vergonha, a humilhação, o arrependimento, o remorso e a culpa.

Seguem-se as chamadas agitações. Estas são perturbações do afecto de curto prazo geralmente provocadas por algo exterior a nós. Exemplos de agitações: sentir-se excitado, sentir-se chocado, sentir-se espantado, sentir-se surpreendido, sentir-se assustado, sentir-se revoltado, etc. São experiências sentimentais passageiras causadas por aquilo que percepcionamos, aprendemos ou entendemos. Sendo perturbações podem alterar o nosso comportamento e travar as motivações. Por exemplo, podemos comportarmos de determinada maneira se estivermos “revoltados” com algo ou alguma pessoa. O comportamento será diferente se estivermos “surpreendidos”. Ou seja, as agitações são uma categoria de sentimentos que provocam diferentes “modos de reagir”.

As disposições são quadros mentais ou estados de espírito em que nos encontramos em cada momento. Podemos sentir-nos alegres, eufóricos, satisfeitos, irritados, melancólicos ou deprimidos. São pois uma “propensão para” nos sentirmos de uma determinada maneira e, por isso, estão ligados a estilos de comportamento. As disposições afectam os nossos pensamentos e reflexões. Veja-se como quando estamos alegres os nossos pensamentos são diferentes do que quando estamos melancólicos. Enquanto as emoções propriamente ditas promovem a acção (por exemplo, o medo provoca a fuga ou a defesa), as disposições não.

Além das emoções temos também as chamadas atitudes emocionais. O que são atitudes emocionais? São tomadas de posição emocional como, por exemplo, sentir saudades ou sentir ciúmes por alguém de forma prolongada. Em teoria podem confundir-se com sentimentos dado que se podem prolongar no tempo.

Finalmente, os traços de carácter emocional. Não se podem confundir com emoções nem com sentimentos. Na verdade, representam “propensões para ser e sentir” dadas as circunstâncias apropriadas e têm a ver com a natureza emocional das pessoas. Compreende-se melhor através de exemplos: há pessoas que se caracterizam por ser compassivas, outras por ser amáveis, outras invejosas, outras tímidas, outras aventureiras, etc. Definem, de algum modo, “maneiras de ser” e estão inseridas na sua personalidade. A educação e as experiências de vida durante a infância determinam muitos dos traços de carácter emocional.

Texto retirado do livro "Ciência das Emoções", de autoria de Nelson S Lima, no prelo.

O QUE SÃO AS EMOÇÕES

Não é o cérebro que sente emoções, como não é o cérebro que pensa.
Nunca dizemos “o meu cérebro sente” nem “o meu cérebro está a pensar”.
Somos nós, na totalidade do ser, que sentimos e pensamos.
Nós somos mais do que o nosso cérebro.
Somos mais do que a nossa mente.
Somos uma entidade integral, com uma personalidade multifacetada,
onde os pensamentos, as memórias, os sentimentos e as emoções
são provocados pelas experiências do viver e moldados
pelas nossas relações com os outros.

Nelson S Lima

A emotividade é uma das características mais evidentes da espécie humana. O exercício de viver inclui uma ampla gama de estados emocionais que é única em todo o reino animal pela sua variedade, intensidade, extensão, profundidade, variabilidade e amplitude.

As emoções afectam toda a nossa vida: os pensamentos, os sonhos, as relações humanas, as decisões, as escolhas, etc. Invadem-nos a alma, o intelecto, o corpo. Atiçam a imaginação. Servem de tema e energia aos sonhos. Estão presentes em todas as formas de arte (na literatura, no cinema, no teatro, na dança, etc.). Na verdade, a vida humana sem as emoções seria excessivamente racional, mecânica, fria e descolorida.

Recentes estudos (J.LeDoux,1996) levam a acreditar que as emoções podem não estar tão distantes do pensamento e do intelecto como antigamente se pensava. Elas parecem ser produto de uma “sabedoria evolutiva” e revelam algum tipo de inteligência adicionado.

Primariamente, podemos admitir como seguro que as emoções têm um papel decisivo na sobrevivência. Um bom exemplo disso é a emoção do medo que permite que as pessoas sejam mais prudentes e corram menos riscos. Esta emoção protege-nos de nos lançarmos em acções que podiam fazer perigar a nossa vida. Com o medo aprendemos a perceber os limites.

Depois, vem uma outra função para as emoções: a social. Através das emoções somos mais capazes de estabelecer relações afectivas, cordiais e construtivas com os outros e daí resultarem benefícios para todos (cooperação, partilha, ajuda, etc.).

Através destes exemplos podemos concluir que as emoções existem nos seres humanos (e noutros animais) há muito tempo, executam tarefas de defesa, protecção e ajuda visando, afinal, a sobrevivência. A sua origem e a sua finalidade central são, por conseguinte, biológicas mas com um tremendo impacto nas restantes actividades mentais.

Isso explica porque as emoções acontecem, numa primeira fase, em níveis não conscientes. Elas são accionadas por processos de percepção rapidíssimos que apreendem as situações através de um sistema neurológico complexo e ditam as respostas necessárias adequadas a cada situação. Por isso é que primeiro sentimos as emoções e depois pensamos sobre as suas causas e sensações provocadas.

Esse é o papel sobretudo das chamadas emoções primárias, básicas ou primitivas pois estão também presentes em outros animais. Mas existem, no ser humano, emoções mais complexas (na verdade, parecendo ser uma mistura de emoções) que são provocadas por situações de natureza mais social. É o caso da vergonha. É uma das quatro emoções que estão ligadas à nossa auto-consciência (isto é, a consciência de quem somos). As outras três são o acanhamento, o orgulho e a altivez.

A vergonha é reconhecida como a emoção da inferioridade e tem um problema. Segundo diz Annie Emaux “o pior da vergonha é que quem a sente julga ser o único a tê-la” numa dada situação. É uma experiência muito pessoal e íntima, que arremete contra a nossa auto-confiança. Constantes experiências de vergonha na nossa vida podem destruir a auto-estima, tornar-nos tímidos e, por fim, empurrar-nos para comportamentos inibitórios (que nos inibem) e evitantes (fugas das situações).

É evidente que um pouco de vergonha não faz mal a ninguém. Pode até ser benéfico. O problema de se ter vergonha só se coloca como indesejável quando esta toma conta da nossa vida e nos impede de sermos felizes!

Teorias primitivas

Apesar de fazerem parte da nossa natureza, desde mesmo antes de nascermos, as emoções só muito recentemente mereceram a atenção da ciência. Os conhecimentos que hoje temos desta matéria são muito vastos.

Existem diferentes abordagens no estudo das emoções. Conforme a perspectiva, o entendimento varia. Para uns, as emoções são reacções biológicas, próprias da nossa natureza animal. São mecanismos de sobrevivência, mesmo que tenham também funções sociais. Elas existem nos seres humanos pelas mesmas razões que existem em muito outros animais. Para outros são simplesmente estados mentais provocados pelo sistema nervoso em resultado de determinados de estímulos. Outros autores preferem afirmar que as emoções são formas de pensamento. Outras correntes sugerem que elas são formas de consciência do mundo, isto é, janelas através das quais apreendemos a realidade e a transformamos.

Durante muito tempo as emoções foram consideradas como elementos perturbadores do raciocínio e do comportamento. O filósofo Platão, que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo, terá sido o primeiro teórico das emoções. Ele achava as emoções como algo desconcertante, opostas à razão, pelo que deveriam ser refreadas. Não foi o único a pensar assim. Cícero, filósofo romano que viveu mais tarde, entre os anos 106 e 43 antes de Cristo (a.C.), declarou que as emoções tinham o seu quê de estupidez e ignorância pois elas insurgiam-se contra a inteligência e a razão; por conseguinte, as emoções eram indesejáveis.

O estoicismo (uma doutrina filosófica que apareceu no século III a.C.) condenava as emoções, fazendo a apologia da razão e da inteligência. Os estóicos (os seguidores daquela doutrina) consideravam, todavia, quatro emoções fundamentais: o “desejo” (de bens futuros); a “alegria” (pelos bens presentes), o “temor” (pelos males futuros) e a “aflição” (pelos males presentes).

Já o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.), que também dedicou alguma da sua atenção ao estudo das emoções, escreveu que “as emoções são todos aqueles sentimentos que mudam as pessoas de forma a afectar os seus julgamentos” e têm a ver ou com a dor ou com o prazer. E exemplificou: “Quando as pessoas se sentem amistosas e afáveis pensam um tipo de coisa; quando se sentem iradas e hostis, pensam em outra coisa completamente diferente, ou a mesma coisa com uma intensidade diferente”.

É curioso que apesar da distância no tempo (mais de 2 mil anos), alguns elementos que Aristóteles referiu sobre as emoções mantêm-se actuais. Disse ele:

a)As emoções estão ligadas ao pensamento.
b)Elas podem ser agradáveis ou desagradáveis.
c)Incitam à acção.
d)Baseiam-se nas avaliações que fazemos das situações.

O estudo mais acentuado do papel social das emoções teve a sua origem nas análises dos naturalistas dos séculos XVI e XVII. Reconhecia-se então que todo o homem procura os seus semelhantes não apenas para satisfazer interesses e necessidades mas também pelo prazer que lhes proporciona a convivência e familiaridade.

Santo Agostinho (1548-1600 d.C.) associou as emoções à sensibilidade do espírito humano, frisando o seu carácter activo e responsável: “todos os movimentos da alma não são mais do que vontade”. E interrogava-se: “O que é o medo e a tristeza senão vontade que repudia coisas não desejadas? Segundo a diversidade das coisas desejadas e evitadas, a vontade humana, ao permanecer atraído por elas ou ao rejeitá-las, transforma-se nesta ou naquela emoção”.

Será difícil ser feliz?

Um dos clássicos da psicologia moderna é o livro de Mihaly Csikszentmihalyi que em português levou o título FLUIR. Csikszentmihalyi era então (1990) professor de Psicologia e Educação da Universidade de Claremont (USA) e membro da Academia Nacional de Educação dos Estados Unidos.

Em FLUIR, o autor fala dos "estados de experiência óptima", "os estados em que uma pessoa desfruta verdadeiramente de alguma coisa ou em que se concentra activamente numa tarefa, a ponto de se esquecer de tudo o resto". Também conhecido como "estado de atenção fascinada" ou "estado de fluxo" representa uma fonte de energia para enfrentarmos com mais vigor e entusiasmo os desafios da vida.

Numa época em que tantos livros de auto-ajuda nos tentam apontar caminhos para a descoberta da felicidade esta obra é seguramente uma das mais completas e acessíveis com a vantagem adicional de ter um fundamento cientifico (o que nem sempre acontece com muitos livros de auto-ajuda de autorias duvidosas).

Livro destinado ao público em geral, FLUIR resume em quase 400 páginas de agradável leitura mais de 20 anos de" investigação sobre os aspectos positivos da experiência humana - a alegria, a criatividade, e o processo de envolvimento total com a vida a que chamei fluxo"- diz o autor.
Csikszentmihalyi descobriu, por exemplo, que a felicidade não acontece. Não resulta da sorte ou do acaso. É, sim, "um estado que cada um tem de preparar, cultivar e defender. As pessoas que sabem controlar a experiência interior conseguem determinar a qualidade das suas vidas, que é o máximo que se podem aproximar do "ser-se feliz".

A felicidade resulta então de um envolvimento profundo com cada pormenor das nossas vidas, bom ou mau. Não é tentando procurá-la directamente que a conquistamos da mesma maneira que procurar o sucesso não garante que este seja alcançado. Então como proceder?

Diz Csikszentmihalyi: "Os meus estudos do passado quarto de século convenceram-me de que há uma maneira. Trata-se de uma via circular que começa por conseguirmos controlar o conteúdo da nossa consciência".
Como então? Resposta: "A nossa percepção das vidas que temos resulta de muitas forças que modelam a nossa experiência, cada uma influenciando a nossa boa ou má disposição. A maioria dessas forças transcendem o nosso controlo. Não há muito a fazer quanto ao aspecto físico, ao temperamento ou à nossa constituição. Não podemos decidir - pelo menos por enquanto - a altura que atingiremos ou a beleza de que seremos dotados. Ou seja, há muitos factores a que atribuímos muita importância para a nossa felicidade mas que estão fora do nosso controlo.

"Contudo - escreve Csikszentmihalyi, - todos passamos por períodos em que, em vez de sermos esbofeteados por forças anónimas, sentimos que controlamos as nossas acções, que somos donos do nosso próprio destino. Nas raras situações em que tal acontece, temos uma sensação de enorme alegria, uma sensação profundo de gozo que guardamos longa e carinhosamente e se torna um marco na memória de como deveria ser a vida. É a isto que chamamos de "experiência óptima".

Estudos levados a efeito em diversos pontos do planeta levaram a equipa de investigadores de Csikszentmihalyi a verificar que estes estados podem ser vividos por qualquer pessoa, rica ou pobre, negra ou branca, jovem ou idosa.
Estes estudos, que foram iniciados na Universidade de Chicago, prolongaram-se depois por outros países e envolveram muitos cientistas da Alemanha, Itália, Japão e Austrália. Descobriu-se, por exemplo, que a vivência frequente de "estados de fluxo" não só contribui para a felicidade como também para a saúde e a longevidade.

Já o médico Deepak Chopra descobrira que "as pessoas que têm melhores resultados em qualquer empreendimento da vida geralmente seguem um padrão para administrar os seus desejos sem lutar indevidamente com o meio ambiente (os factores externos) colocam-se no fluxo".

O doutor Csikszentmihalyie defende que as pessoas devem tentar desenvolver uma personalidade "autolética", isto é, devem aprender a saber transformar as ameaças em desafios para poderem conservar a sua harmonia interior.
Para desenvolver tal personalidade são apenas necessárias quatro coisas:

1º definirmos objectivos claros a alcançar na vida e desenvolver competências para os atingir;
2º deixarmo-nos imergir pela actividade, ou seja, envolvermo-nos profundamente naquilo que fizermos;
3º prestarmos atenção ao que se passa à nossa volta, ou seja, concentração para nos podermos envolver tal como fazem os atletas de alta competição;
4º aprendermos a desfrutar da experiência imediata mesmo quando as condições são brutais e adversas.

Um alerta: o excesso de estímulos da vida actual (sons, luzes, imagens, etc) impedem o estado de fluxo porque a energia psíquica é demasiado fluida e errática. Pela mesma razão, a insegurança, a ansiedade e o egocentrismo excessivos impedem-nos de o alcançar. São entraves que se localizam no interior das pessoas.

Seria magnífico que a educação actual apostasse em ensinar às nossas crianças a desenvolverem personalidades autoléticas. Seriam mais felizes e mais tranquilas. E haveria menos queixas de hiperactividade nas escolas, desatenção, desmotivação, insucesso e ansiedade.
(para saber mais: Fluir, de Mihaly Csikszentmihalyi, Relógio d´Água Editores, Lisboa, 2002).

Valorizar a Vida

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Cada minuto de nossas vidas é uma oportunidade de melhoria contínua. Se desejamos viver mais e melhor e conquistar o direito de ser feliz, precisamos romper com o imobilismo e acabar com as desculpas. A transformação da realidade tem inicio no interior de cada um de nós! A condição “sine qua non” é que sejamos partícipes de um mesmo ideal: valorizar a vida e ter consciência da rapidez com que ela passa. Tal ideal requer atitudes que nos estimulem a buscar a cada dia, mecanismos para melhorar a convivência na sociedade, no trabalho, na família, com os amigos e a estabelecer novas relações de poder, centradas não apenas na hierarquia, mas no poder pessoal de criar, contribuir, somar, compartilhar e cooperar.

Se realmente queremos mais qualidade pessoal na nossa vida, se acreditamos que vale lutar pela conquista de um estilo de vida com mais prazer e felicidade, se queremos agregar valores que nos levem à excelência como seres humanos, o ponto de partida é voltar nosso olhar para dentro de nós mesmos e refletirmos sobre o que é possível fazer para buscar o equilíbrio nas dimensões, física, profissional, emocional, espiritual, intelectual, e social, sem perdermos de vista a concretização do nosso PROJECTO DE VIDA.

São “coisas simples” que podemos colocar em prática que certamente nos garantirão uma vida com mais qualidade:

1. Descubra seus limites e procure respeitá-los;
2. Cultive cada vez mais seu humor
3. Evite um estilo de vida sedentária. Pratique exercícios;
4. Apaixone-se pelo trabalho que está realizando;
5. Estabeleça prioridades em sua vida e aprenda a dizer não;
6. Evite desenvolver vários projetos ao mesmo tempo;
7. Exercite sua paciência. Relaxe!
8. Desenvolva sua simpatia para com os outros;
9. Use sua inteligência para enfrentar as crises sem sofrer demasiado;
10. Procure enxergar o lado positivo das coisas;
11. Consuma uma alimentação equilibrada;
12. Evite levar trabalho para casa;
13. Cultive o hábito de falar menos e ouvir mais;
14. Aprenda a meditar buscando a paz interior;
15. Crie o habito de “passar sua vida à limpo” diariamente;
16. Mantenha sempre uma atitude positiva diante da vida;
17. Não abra mão das suas férias e do seu lazer;
18. Procure administrar seu tempo com eficiência;
19. Procure estar bem consigo mesmo, com a família e com os amigos;
20. Faça diariamente alguma coisa que lhe dê prazer;
21. Tenha sempre em mente o “seu projecto de vida”.
O desafio é não deixar passar as oportunidades para adotar um novo estilo de vida, para um novo tempo, que nos permita alcançar o resultado que todos sonhamos: SER FELIZ!
Adaptado de um texto de Elizabet Garcia Campos, Psicóloga.

Psicologia Positiva atrai interesse científico!

Segundo um estudo que se considera credível (Seligman), mais de 90% de pessoas consideradas felizes ultrapassam os 80 anos, enquanto menos de 34% de pessoas infelizes chegam a esta idade, já que, as pessoas felizes têm em comum, hábitos de vida mais saudáveis, pressão arterial mais baixa e sistema imunológico mais activo que as infelizes.

Ora bem, este é o tema central da Psicologia Positiva, a qual se caracteriza como um revolucionário movimento da actual psicologia. Ela ajuda a entender e a promover os sentimentos e as emoções positivas, a desenvolver a força e o vigor pessoal, os níveis sustentáveis de alegria, a gratificação e os significados autênticos nas nossas vidas.

A Psicologia Positiva não deve ser confundida com o que se escreve habitualmente na maioria dos livros de auto-ajuda existentes no mercado. Muitos deles são escritos por pessoas sem qualquer formação na área da psicologia e muito menos são cientistas que se debruçaram sobre aquilo que escrevem. Por outro lado, muitos autores de auto-ajuda limitam-se a debitar banalidades, ideias do senso comum e a repetir, por outras palavras, chavões que ajudam a vender os seus livros.

Os novos conhecimentos da Biologia Comportamental bem como da Psicologia Científica têm um papel importante no estudo da Psicologia Positiva.

Por exemplo, o investigador e biólogo comportamental Paul Martin, formado em Cambridge, autor de um dos melhores livros sobre a matéria, alerta para um facto nem sempre percebido: a felicidade reside na mente, sendo que as estruturas básicas da felicidade são moldadas pelas nossas experiências, atitudes e maneiras de pensar. Assim, a investigação científica nesta área sugere cada vez mais que a felicidade está mais próxima de uma competência que podes ser adquirida.